| O Uso da Informática na Educação Especial (I) Antonio Borges O projeto DosVox foi criado na Universidade Federal do Rio de Janeiro e tem sido bastante bem sucedido, proporcionando uma vida melhor a mais de mil deficientes visuais brasileiros. Com a palavra Antonio Borges: Antes de entrar neste projeto, eu trabalhava na área de computação gráfica e nunca havia pensado em questões que são essencialmente básicas, como por exemplo, na quantidade de deficientes existentes no Brasil. Não temos nenhuma estatística oficial, mas através de alguns dados obtidos na Organização Mundial de Saúde, podemos estimar que existem, no Brasil, cerca de 500.000 cegos, um número bastante grande. Como fazer para melhorar a vida das pessoas que têm uma deficiência? Certamente que o apoio da família e da sociedade é fundamental, mas hoje em dia, a tecnologia tornou-se um fator muito importante. Mas não estamos nos Estados Unidos nem na França, onde o Estado investe muito dinheiro para que as pessoas possam suprir as suas deficiências através da tecnologia. Aqui no Brasil, se o deficiente não conta com a ajuda financeira da família, está muito distante da tecnologia. Existe tecnologia para pessoas cegas há muitos anos. Nos países do Primeiro Mundo, desde os anos setenta, os cegos podem ler livros através de computadores. No Brasil, esta tecnologia custa em torno de oito mil dólares. Uma vez, dando aula de computação gráfica, notei que na primeira fileira da turma estava um cego, o que me deixou numa situação difícil, pois sabia que a Universidade não tinha infra-estrutura para atendê-lo. Resolvemos então desenvolver juntamente com este aluno um conjunto de programas adaptados à nossa realidade, um programa que falasse português e que pudesse ser vendido no Brasil a um preço razoável. Criamos então o DosVox que contém um conjunto de programas que permite que a pessoa cega possa usar o computador quase com tanta facilidade quanto as pessoas que enxergam. O sistema DosVox conta com um editor de texto, um leitor que, com o scanner acoplado no computador, lê o texto em voz alta, e até videogames. Além disto, as informações produzidas pelo DosVox também aparecem na tela, permitindo a integração da pessoa deficiente com a que não é. Ele pode ser rodado num PC 286 e custa apenas R$ 130,00. Estamos caminhando no sentido de democratizar o nosso programa, fazer com que ele seja disponível para todos, mas caminhamos também no sentido de 'elitizá-Io', isto é, pensamos nas coisas mais sofisticadas, nos limites superiores do cego, em levá-lo até o máximo de sua capacidade. Assim, estamos com um projeto chamado 500 Cegos na Internet, um projeto a nível nacional que visa a que os deficientes visuais possam ampliar os seus horizontes através do acesso à cultura na Internet. Até agora, temos 120 pessoas cegas no Brasil que têm acesso gratuito à Internet. Como a língua oficial da Internet é o inglês, estamos agora trabalhando num programa que possa traduzir e ler o texto em português. Recebemos a visita de um representante da empresa norte-americano AT&T, que veio ao Brasil visitar três projetos: o de automação bancária do Bradesco, das Minas de Carajás e o nosso projeto. É muito importante o papel das instituições neste processo de fazer com que todas as pessoas cegas do Brasil possam ter acesso à tecnologia. É preciso instalar o equipamento, treinar as pessoas, dar estágio aos professores, etc. A Universidade precisa usar e ensinar a usar a tecnologia, dar o exemplo, criando condições para que os alunos cegos possam ter acesso a ela. Infelizmente, ainda desenvolvemos poucos trabalhos na área da pesquisa para o deficiente embora seja um campo tão vasto, na engenharia, informática, na área de ensino, etc. Possuímos, no Brasil, capacidade, tecnologia e inteligência para desenvolver sistemas que facilitem a vida dos deficientes e promovam uma maior integração social destas pessoas. Neste sentido, acredito muito na ação das sociedades de pais e amigos dos deficientes que podem pressionar para que as universidades atuem de forma mais ativa, levando a tecnologia aos deficientes. |
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
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